Aleatórios, mas tudo bem.
Os cabelos arrumados e uma maquiagem fraquinha. Uma roupa confortável, Pearl Jam tocando no mp5. O ônibus vagamente cheio, um lugar vazio no fundo. Eu gosto de ir ao cinema, principalmente ao lado de pessoas simpáticas que tornam o passeio agradável.
O shopping vazio, a fila pequena. Última semana que o filme estará em cartaz, é melhor assim. Odeio estréias; o cinema lota e sempre tem um idiota para chutar seu banco, falar alto e jogar pipoca em você. Então vou sempre depois; a sala do cinema vazia, algumas pessoas num canto, no meio e fundo.
Assisti Sherlock Holmes. E, pode parecer estranho, comparando que eu sou uma menina e tal, mas as partes que eu mais gostei do filme em si foi as de ação. Sentei e preguei os olhos na tela, literalmente. E não importa se é filme, anime, série, HQ; o que sempre me chama atenção são as batalhas e lutas (o que seria de One Piece sem isso? E o que seria de mim sem One Piece?).
Imagine minha cara depois disso: PUTA MERDA!
Mas, não vamos fugir do assunto. O fato é: Guy Ritchie colocou tudo que precisa para me deixar feliz e desenhando corações no ar em um filme. Holmes não deixou de ser inteligente só porque luta boxe. Não deixou de ser aquele Sherlock que conhecemos; e o Holmes luta boxe, sim.
E, eis que num cinema vazio, deparo-me com essa cena:

Eu, com toda minha classe que só aparece em momentos tensos assim, digo: “Pegava fácil.”. Simples; duas palavras, e os olhos pregados no filme. O coração batendo a mil por hora. Um beijinho deixado no ar para vagar em direção à tela.
Minha amiga, com toda delicadeza feminina, olha para mim (como ela consegue olhar para mim com o filme passando?!) e diz: “Wow, pensei que você era um ser assexuado que se reproduziria só a base de clonagem.”.
A sinceridade é algo doce e bom, porém, assusta. Principalmente a sinceridade das pessoas que vivem ao meu lado.
Numa sala silenciosa, a forma como ela falou parecia mais um urro que só o rei Leónidas I e seus 300 homens conseguem dar. O comentário me deixou vermelha, vermelha, vermelha e vermelha; e ouvindo risadinhas de menininhas – que não sabem nem o significado da palavra assexuado – e dois rapazes ao fundo.
Tenso.
Mas, o comentário dela até pode ter sentido. Já perguntaram se eu sou lésbica, bi, puritana, freira, frígida e mais um monte de coisas, porque ninguém consegue imaginar um menina de dezessete anos que nunca teve um relacionamento – e seus derivados – com alguém.
Mas eu sou uma pessoa normal (?). Tenho momentos ruins e tenho momentos bons. Eu só não achei a pessoa certa para ter um relacionamento. Ter um namorado é ter alguém para dividir momentos. Ter um namorado não é uma necessidade.
Ter um namorado é amar uma pessoa e querer dividir sua felicidade com a mesma. Abraçá-la com carinho e depositar no cantinho dos lábios um beijo simples que diz tudo que você sente em relação a ela. Pronto. Não é simples. Não é sair por aí e ficar com cincos moleques que nem ao menos te respeitam.
Namorar é amar a sensação de estar ao lado dele ou dela. Namorar é reinventar seu próprio amor e fazer a junção com o amor do outro.
Não há porque ter pressa. Há muitas coisas ainda; há planos, há a construção de sua própria opinião, há seu futuro, e há seus momentos felizes de agora ao lado de seus amigos. No momento certo chegará a pessoa adequada. Pelo menos essa é a forma que eu penso.